Fernando Lugo afirmou que não quer influir na decisão de 'companheiros'.
Paraguai foi suspenso da reunião após o processo de impeachment dele.
Mulher passa em frente a pichação contra o novo presidente do Paraguai, Federico Franco, nesta terça-feira (26) em Assunção.O presidente destituído do Paraguai, Fernando Lugo, disse nesta terça-feira (26) que desistiu de participar, na próxima sexta, da Cúpula do Mercosul da qual o Paraguai foi excluído após seu impeachment.
"Não quero que minha presença influa no que meus companheiros vão deliberar", disse Lugo à Radio 10, de Buenos Aires. Ele confirmou as informações à agência argentina Telám.
Lugo afirmou que vai acompanhar "atentamente" as decisões da reunião em Mendoza.
O presidente deposto afirmou que espera que o Mercosul "diga algo" sobre o que ocorreu no Paraguai.
Ele disse que, se alguma coisa parecida ocorresse em outro país do bloco, ele próprio teria votado pela expulsão.
Mais cedo, em entrevista à agência Reuters, Lugo disse que considera "um milagre" voltar ao poder.
Crise no Paraguai
Federico Franco assumiu o governo do Paraguai na sexta-feira (22), após o impeachment de Fernando Lugo. O processo contra Lugo foi iniciado por conta do conflito agrário que terminou com 17 mortos no interior do país.
A oposição acusou Lugo de ter agido mal no caso e de estar governando de maneira "imprópria, negligente e irresponsável".
Ele também foi acusado por outros incidentes ocorridos durante o seu governo, como ter apoiado um motim de jovens socialistas em um complexo das Forças Armadas e não ter atuado de forma decisiva no combate ao pequeno grupo armado Exército do Povo Paraguaio, responsável por assassinatos e sequestros durante a última década, a maior partes deles antes mesmo de Lugo tomar posse.
O processo de impeachment aconteceu rapidamente, depois que o Partido Liberal Radical Autêntico, do então vice-presidente Franco, retirou seu apoio à coalizão do presidente socialista.
A votação, na Câmara, aconteceu no dia 21 de junho, resultando na aprovação por 76 votos a 1 – até mesmo parlamentares que integravam partidos da coalizão do governo votaram contra Lugo. No mesmo dia, à tarde, o Senado definiu as regras do processo.
Na sexta, o Senado do Paraguai afastou Fernando Lugo da presidência. O placar pela condenação e pelo impeachment do socialista foi de 39 senadores contra 4, com 2 abstenções. Federico Franco assumiu a presidência pouco mais de uma hora e meia depois do impeachment de Lugo.
Em discurso após o impeachment, Lugo afirmou que aceitava a decisão do Senado.
Mas, neste domingo, Lugo voltou atrás, aumentou o tom disse que não reconhece o governo de Federico Franco e que não deve, portanto, aceitar o pedido do novo presidente para ajudá-lo na tarefa de explicar a mudança de governo a países vizinhos.
Isolamento
O novo governo de um dos países mais pobres da América do Sul está isolado regionalmente, depois que Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Venezuela, Peru e Uruguai retiraram ou chamaram para consultas seus embaixadores em Assunção.
A pressão da região é bastante perigosa para a pobre economia do Paraguai, que depende dos portos de seus vizinhos Argentina, Brasil e Uruguai para o transporte e o abastecimento, além das exportações.
O governo brasileiro disse que não tomará medidas que "afetem o povo irmão paraguaio".
O Uruguai também afirmou que não adotará sanções econômicas.
A Venezuela anunciou a interrupção do envio de petróleo ao Paraguai, mas o presidente da estatal paraguaia Petropar garantiu o abastecimento no país, um importador.
O novo chanceler paraguaio, José Félix Fernández Estigarribia, que tentou sem sucesso fazer contato com seus pares da região, disse que nem sequer o diplomata responsável pela embaixada da Argentina em Assunção o atendeu pelo telefone.
"Telefonei ao encarregado de negócios da Argentina e eles têm ordens de ainda não atender ao telefone", disse.
A Alemanha afirmou que a Europa estava seguindo com preocupação os acontecimentos no Paraguai.


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