Esquecendo que o filme tenha qualquer relação com o jogo e encarando como uma franquia independente, Resident Evil 5: Retribuição é de longe o que menos desenvolve qualquer coisa em relação ao todo. O confuso enredo não caminha um milímetro de onde fomos deixamos no final de Resident Evil 4: Recomeço e claramente age como um capítulo extra dentro da franquia, funcionando apenas como um prelúdio para o próximo (e quem sabe último) filme da série.
É claro que, em um longa como Resident Evil não se pode esperar um refinamento de texto e encaminhamento, estamos falando de zumbis e uma mulher extra-poderosa os destruindo, a intenção não é e nunca deve ter sido criar qualquer história minimamente coerente e de alguma profundidade. Estou de acordo com isso, existem filmes cuja a ação desenfreada é tão empolgante e envolvente que qualquer deslize de roteiro é facilmente perdoado. O que nos leva a crer que, se peca em continuidade e desenvolvimento, o longa compensará na ação e porradaria. Mas não.
Não me entendam mal, Resident Evil é basicamente uma sequência alucinada de tiros, decapitações, lutas em câmera lenta, mais tiros e alguns poucos momentos de diálogos. Em dado momento você se acostuma de tal forma com o barulho descomunal das balas sendo atiradas a todo o momento que até dá vontade de dormir. Porque as batalhas não são escolhidas, elas não tem próposito, elas simplesmente acontecem porque devem acontecer e não há nada mais entediante do que não conseguir se conectar com as motivações das personagens.
Essa quantidade exorbitante de batalhas sem sentido tem a ver com a estrutura do filme, que diferente dos anteriores, explora o estilo de aventura linear de alguns jogos de videogame, onde Alice e sua recém aliada Ada Wong precisam enfrentar diversas situações para poder passar de um ambiente ao outro, sem muita escolha. Encarcerada em uma imensa instalação da Corporação Umbrella, Alice precisa encontrar o grupo enviado para resgatá-la e para isso, deve seguir por diversas "fases" dentro da instalação, até finalmente chegar ao seu objetivo. O que fazer para chegar até a próximo ambiente? Tiros e mais tiros e mais tiros.
Dessa vez, saem de cena Chris e Claire Redfield e chegam Ada Wong, Barry Burton e Leon Kennedy. Os novos personagens são interessantes, mas prejudicados por um roteiro que não tem a menor intenção de explora-los. O filme é de Alice, a protagonista indiscutível da franquia e Milla Jovovich, boa atriz, entrega uma atuação que convence do que tem que convencer: que Alice definitivamente pode fazer todas aquelas coisas e que é praticamente indestrutível. Com os novos personagens, voltam alguns velhos conhecidos do público: Rain Ocampo e Carlos Oliveira mortos nos filmes passados, mas aqui revividos graças aos inúmeros clones de ambos. O enredo não é dos mais surpreendentes, como viemos frisando.
Abusando de cenas de ação e roupa coladas, dá para entender o apelo que Resident Evil tem. Os fãs do jogo vão odiar, mas para os que esperam com ansiedade a continuação e que vem acompanhando toda a série desde o começo sem fazer qualquer relação com o game, pode até ser satisfatório. Esse, no entanto, é o filme que menos desenvolve a história, deixando tudo para os minutos finais do filme. Final esse que, se você for muito fã da saga, vai achar impressionante e sair do cinema louco para que o sexto filme chegue. Agora, se essa não é sua pegada, será difícil Resident Evil 5 oferecer qualquer tipo de distração mais elaborada.




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