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Carlos Campano - Entrevista



De tempos em tempos o Brasil recebe em suas pistas pilotos vindos do exterior que, ao final de uma temporada, acabam mudando o ritmo das competições, os resultados e a rotina dos nossos pilotos. Foi assim com a vinda de nomes como Rodney Smith, Anthony Pocorobba e Scott Simon. Este ano vimos esta mudança acontecer através da pilotagem agressiva e técnica do espanhol Carlos Campano, que a convite da equipe Yamaha Grupo Geração Monster Energy Circuit veio fazer a temporada 2012 dos campeonatos nacionais. 



Quando realizamos esta entrevista,  Campano já tinha faturado a Superliga e o Brasileiro de Motocross, e ainda está batalhando no Arena Cross. O espanhol conversou conosco e falou de sua temporada, da conquista e dos planos e metas para o futuro. 



Dirt - Gostaria de iniciar nossa entrevista pedindo que você fizesse um resumo de como aconteceu sua vinda para o Brasil e de como surgiu o convite.

Campano - Meu primeiro contato aqui no Brasil foi com o Cacau (Manuel Hermano), na última etapa do Mundial de Motocross de 2009, em Canelinha (SC). Eu precisava de apoio logístico e a Yamaha Brasil me ofereceu uma moto e suporte para que eu pudesse fazer a melhor prova daquela temporada, quando consegui o sexto lugar na classificação geral. A partir daí começou uma grande amizade com o Cacau e com as pessoas da Yamaha no Brasil e, então, surgiu o convite para fazer a temporada 2010 aqui. Mas eu já tinha decidido disputar o Mundial de MX3 com minha própria equipe e decidi adiar minha vinda. Acabei acertando na decisão de ficar na Europa, pois conquistei o título da categoria e melhorei minha qualidade técnica.
Em 2011, decidi participar da categoria MX1. Foi um ano difícil e continuei tentando fazer o Mundial, e novamente tive apoio da Yamaha daqui no GP Brasil, que aconteceu em Indaiatuba (SP). Nessa ocasião, conversamos bastante sobre a possibilidade de fazer uma temporada completa aqui e vi que naquele momento era uma oportunidade para mim, já que no mercado europeu estava muito difícil de conseguir dinheiro para seguir correndo. Então, no final da temporada voltei para ver a estrutura e gostei muito da pista onde estive e das condições que me ofereceram para competir, e acabei aceitando o convite.

Como foi o impacto de chegar num país em que o esporte está se desenvolvendo?

A diferença é grande, mas isso não significa que seja mais fácil. Os pilotos que andam aqui investem em suas motos. Além disso, o campeonato é grande, maior do que o espanhol, e as viagens são longas - talvez esta seja a maior dificuldade. Aqui também tem pistas bem-variadas, com diferentes tipos de terreno, o que faz com que tenhamos todos os tipos de provas, tornando-as mais competitivas.

Pensa em voltar a correr o Mundial?

Não, porque o Mundial está tomando um rumo estranho. Hoje em dia, se você não é um piloto de fábrica - e existem poucos -, é impossível se manter. Apenas as equipes oficiais têm dinheiro, e o custo está elevado. Mas se você for um piloto com muito dinheiro pode comprar uma vaga, e nem é preciso ter muito talento. Se continuar assim, não acredito que o Mundial dure muitos anos. E estão colocando provas em locais cada vez mais distantes, aumentando os custos das viagens.



Como foi a repercussão entre os seus amigos do Mundial, quando souberam que você estava se transferindo para o Brasil?

Eles estranharam no início, mas hoje todos querem saber como é correr no Brasil e sobre o que vão encontrar por aqui. Acredito que todos estão vendo que o Mundial está indo mal e precisam buscar alternativas para continuar competindo. Alguns pilotos foram correr na Austrália, outros na Inglaterra, e muitos continuam buscando alternativas que não seja continuar no Mundial.

Vindo de um país do primeiro mundo, como foi sua adaptação no Brasil?

Achava que seria mais difícil, mas tão logo eu cheguei aqui, descobri que há muitas coisas parecidas com a Espanha. Não tive problemas com o clima e tampouco com a comida. Além disso, a cidade em que fui morar (Florianópolis-SC) é muito bonita e oferece tudo que uma grande cidade tem. Trouxe minha namorada, que me ajudou muito neste período de adaptação. Quando se fica longe da família, é importante ter alguém que pelo menos fale a sua língua, para te dar forças. Outra coisa importante a se destacar é o tratamento que a equipe me oferece, é como se fosse uma segunda família. Existe um respeito profissional e pessoal muito grande entre nós.

Você correu durante anos no Mundial, inclusive chegou a substituir o piloto de fábrica David Philippaerts, na Yamaha. A diferença de equipamento é muito grande?

Claro que se comparar com a motocicleta oficial da Yamaha, onde os equipamentos são superespeciais, a diferença é evidente; mas meu equipamento no Brasil é muito bom, temos trabalhado muito nos acertos e penso que temos um grande equipamento, semelhante ao meu quando era privado. A equipe me ofereceu todas as condições de andar na frente e disputar os títulos, e o resultado veio. Tenho muito o que agradecer à minha equipe, eles fizeram um grande trabalho, acreditaram em mim e me deram uma boa estrutura. Estou muito feliz com essa nossa parceria.

A temporada 2012 foi intensa, com dois campeonatos e muitas viagens. Qual a sua opinião sobre termos dois campeonatos ao invés de apenas um?

Acho que isso não é tão complicado. Quando fazemos o Mundial, viajamos muito mais. O ruim mesmo é a disputa entre os dois organizadores, que acaba refletindo sobre os pilotos e equipes, que não pararam de rodar. Espero que nos anos seguintes isso melhore, pois alguns mecânicos tiveram que passar vários dias viajando entre uma etapa e outra dos campeonatos; isso prejudica até os treinamentos, já que precisam dar suporte aos pilotos. Infelizmente tive uma lesão na virilha e não consegui treinar o quanto gostaria.

Recentemente você passou por uma experiência muito dura, que foi a perda de um companheiro, o Marronzinho. Como foram aqueles momentos e o que fez para superar essa fase em sua vida?

Em minha vida posso dizer que foi o momento mais difícil até hoje, já que não tinha consciência que algo pudesse acontecer tão perto. Foi um momento que não sabia o que fazer e como reagir, e depois fiquei pensando como seria voltar a subir na moto. Pensei que teria medo de voltar a pilotar, mas assim que subi na moto, procurei me concentrar no meu trabalho - foi a única forma de parar de pensar no ocorrido. Hoje vejo o fato de maneira diferente, ele morreu cedo mas fazendo o que mais gostava, penso que se isto tem que acontecer que seja fazendo o que você gosta.

Quais são os planos para 2013, depois de conquistar os títulos da Superliga e do Brasileiro de Motocross?

Neste momento quero apenas comemorar o título conquistado nos dois campeonatos, e sei que a Yamaha está muito contente com o meu trabalho. Ainda é cedo, pois tenho que completar a temporada, e só depois pensar na próxima temporada. Já renovei com a equipe, e quero voltar para a Espanha depois do término das provas, para ficar um pouco com a minha família.


Na pista, você começou a temporada colocando um ritmo mais forte do que nossos pilotos estavam acostumados; no final da temporada, alguns deles já estavam andando mais perto de você. Acredita que trouxe evolução para os nossos pilotos?

Na verdade, alguns pilotos já estavam acostumados com o meu ritmo, como o Balbi (Antonio Jorge Balbi Jr.), que andou nos Estados Unidos e o Adam (Chatfield), que veio da América, apesar de ser britânico. Para eles, que estavam acostumados com o ritmo de provas internacionais, penso que foi mais fácil me acompanhar, apesar do Balbi ter se lesionado no início da temporada. Para os demais pilotos, eles precisaram acelerar mais para manter o mesmo ritmo, e creio que isso foi importante na evolução deles. Mas acredito que são pilotos excelentes e muito rápidos.


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