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O Futuro da Vida

Edward Wilson, especialista em formigas da Universidade Harvard e duas vezes vencedor do Prêmio Pulitzer, dos Estados Unidos, é o que se pode chamar de um dos últimos naturalistas: daqueles com verve de desbravador e cuja curiosidade científica os leva a ter uma compreensão generalista da natureza e de suas espécies. O Brasil conhece esse perfil de estudioso das grandes expedições dos séculos XVIII e XIX, comandadas por naturalistas como Alexandre Rodrigues Ferreira, Spix e Martius e, o mais influente de todos, Charles Darwin, que passou pela costa brasileira a bordo do Beagle na primeira metade do século XIX.


Uma maneira de ver a obra de Darwin é a de que suas descobertas colocaram a biologia a serviço da filosofia, ao responder da melhor maneira que se conhece à pergunta existencial "de onde viemos". Para a ciência, a resposta está na teoria da seleção natural, que Darwin expôs em A Origem das Espécies (de 1859).
Em O Futuro da Vida * - escrito em 2001 -, Wilson, universalmente reconhecido como um dos maiores biólogos de sua geração, parece responder a uma outra questão filosófica, ainda que não o diga explicitamente. A pergunta é "para onde vamos". Buscar uma resposta científica para essa indagação faz muito sentido ao entrarmos em uma era em que o homem deixa de ser um mero habitante do planeta - que, como as outras espécies, luta por sua sobrevivência - para se tornar uma "força geofísica", como escreve Wilson. Ou seja, a interferência doHomo sapiens na natureza já é de tal grandeza, que chega a ser capaz de mudar a própria dinâmica do planeta - o que inclui a saúde dos ecossistemas e o equilíbrio do clima global.
No papel de Darwin do século XXI que, em vez de olhar para o passado, olha para o futuro, Wilson começa o livro descrevendo a variedade e, principalmente, a tenacidade da vida na Terra. Para isso, ele desce aos seres microscópicos, invisíveis ao olho nu: bactérias capazes de viver em ambientes muito quentes (como crateras de vulcões), outras que sobrevivem a pressões altíssimas nas profundezas do mar e outras, ainda, que resistem até à radiação.
Mesmo que toda a vida existente na superfície terrestre desaparecesse, escreve Wilson, permaneceriam bactérias e outros seres microscópicos que, por exemplo, vivem a 3 quilômetros de profundidade no solo. A existência de seres tão resistentes é o que faz os cientistas terem tanta esperança de encontrar vida em Marte ou mesmo em uma das luas de Júpiter. A lição é que, certamente, quando a humanidade não estiver mais por aqui, ainda haverá vida no nosso planeta, por mais inóspito que ele tenha se tornado. Este fato não serve de argumento para destruirmos tudo a torto e a direito. Ao contrário, mostra que a biosfera, de certo modo, não precisa da humanidade - nós é que precisamos dela, como descreve Wilson minuciosamente em seu livro.
Com um estilo elegante e feito para ser entendido por nós, leigos, Wilson conta sobre a incrível diversidade de espécies que o Homo sapiens está destruindo antes mesmo de ter acumulado conhecimento sobre elas. O biólogo também fala sobre os serviços prestados pela natureza: o equilíbrio do clima e da atmosfera; a reposição de água doce; o enriquecimento do solo; o ciclo de nutrientes; a absorção de dejetos; a polinização; a reposição de fontes de energia alimentar, como os estoques de peixes marinhos; a produção de fibras, madeira e outros materiais.

2 comentários:

  1. Nao queria que o futuro fosse assim... mas fazer o que? Queria que o futuro fosse como agora mas com tecnologias melhores.

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  2. Queria parar no tempo para sempre e somente envelhecer. :((

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